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Homenagem a uma grande companheira…

27 out

Hoje o dia amanheceu como muitos tantos outros. Luzes se acendendo pela cidade. Padeiros preparando mais pães quentinhos. Pessoas levantando cedo para ir ao trabalho. Carros saindo das garagens. Trânsito infernal. Tudo indicava ser mais um dia normal. Muitos festejaram a gostosa e refrescante chuva da noite. Mas nós não! Nunca pudemos imaginar que, com a chegada da chuva, viria também tamanha tragédia.

A noite anterior transcorreu normalmente. Eu, em minha casa, dormia um sono tranquilo. Meu noivo, na casa dele, preparava-se para mais uma madrugada de trabalho. Ao sair, avistou nossa amada cachorra, que dormia com ar sereno. Olhou carinhosamente pra ela e saiu. Nunca passou pela cabeça o dia que enfrentaríamos a seguir. A cidade toda adormeceu. Barulho?! Nem dos grilos… No meio da noite, as cachorras, talvez já descansadas, despertaram. Em vez de permanecerem no quentinho de suas camas, saíram para o relento. Por quê? Por que não ficaram ali? Jamais saberemos o que aconteceu minutos antes de a cachorra cair num buraco cheio d’água. Xixi? Cocô? Brincadeiras? Susto? Será sempre um mistério! Desespero! Como gritar por socorro?! Marcas das unhas na terra molhada. Com certeza ela, como guerreira, lutou até o fim pela vida, pois isso ela tinha demais. Mas sua luta foi em vão! O cansaço a dominou… e nada mais poderia ser feito naquele momento. Pouco a pouco a água, que pode gerar vidas, tirou a dela de maneira tão brutal e insensível. Com lágrimas nos olhos e um último suspiro, ela se despede de sua família humana.

Kira! Kira é o nome dessa companheira e amada amiga, ou melhor, filha. Agora, quem nos receberá com imenso sorriso e pulos de alegria? Quem nos seguirá para todos os cantos da casa? Quem pedirá colo nos dias de frio? Quem  emitirá ruídos como se quisesse falar? Quem roncará ao nosso lado enquanto queremos dormir? Quem nos amará incondicionalmente mesmo quando estamos bravos por alguma travessura?

Já havia pensado sim que um dia esse momento chegaria. Mas nunca imaginei que seria tão rápido e tão doloroso! Que dor! Que vazio! A Kira era nosso refúgio. Era nossa calmaria. Era nossa alegria! Ela se tornou uma companheira tão presente que, na minha mente e no meu coração, tornou-se imortal. Um ser imbatível. Mas no fundo era tão frágil e vulnerável como todos nós…

Ah, Kira, quanta falta você nos faz!! Quantas saudades vamos sentir! No nosso peito restou um vazio difícil de se preencher. É um pedaço de nós que morre também. Kira, o que aconteceu? Como aconteceu? Essa é uma pergunta pela qual não há explicação. A vida é assim… e vamos aprendendo a conviver (porque jamais esqueceremos) com a imensa perda irreparável. O único consolo é acreditar que ela partiu para um lugar belíssimo, sem dor e sofrimento. A alegria dela era tão grande e contagiante que não poderia ficar somente em um único lugar. Por isso, Deus a levou para que irradiasse esse jeito de ser para todos os cantos do Universo. Kira, como você é amada! Descanse em paz!

Kira, que saudades sentiremos do seu jeito de “falar”, sentar, dormir… Te amaremos sempre, sempre!

27/10/2010

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