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Casamento japonês

13 out

Olá, ladies!!! Cada vez mais estou entusiasmada com assuntos sobre casamento. No Brasil, temos um jeitinho bem peculiar de organizá-lo, embora isso pra nós não seja tão evidente. Porém, é só pesquisar um pouquinho sobre outros países que logo percebemos a tamanha diferença entre as culturas. Uma coisa é interessante: cada país influencia, ao longos dos anos, na cultura dos outros países. Um exemplo disso são tendências americanas que estão se instalando frequentemente nos casamentos brasileiros.

Por isso, para nos inspirarmos, que tal conhecer um pouco sobre a cultura de cada povo?! Pra começar, escolhi, é claro, a terra natal de meus avós: o Japão, cujos modos e etiqueta são bem diferentes dos nossos.

Atualmente os casamentos japoneses têm adotado muitas tradições ocidentais. No entanto, ainda se mantém certa tradição.

Tradições antes do casamento

Durante a aristocracia, o ritual de casamento mais comum é o chamado “Muko-iri”. Nesse sistema, o noivo costuma visitar a noiva todas as noites. Somente depois do nascimento de um filho ou da morte dos pais, ele a aceita como esposa. Se os pais da jovem aprovarem a união, o jovem será convidado para uma cerimônia denominada “tokoro-arawashi”, onde compartilharão bolinhos de arroz (“mochi”). Essa cerimônia foi considerada a mais importante nos casamentos entre antigos aristocratas. O noivo então viveria com a família da noiva e ofereceria seu trabalho durante um período de tempo.

Com a ascensão dos “Bushi” (mesmo que samurai), começa a ser adotado no Japão o “Yome-iri”, no qual a mulher é quem passa a viver com a família do noivo. Isso depois do nascimento de um filho ou da morte dos pais, como ocorre no “Muko-iri”.

Sob o sistema feudal, casamentos japoneses eram frequentemente utilizados como meios políticos e diplomáticos para manter a paz e a unidade entre os senhores feudais. Nessa época, ao contrário da era aristocrática, os homens jovens e as mulheres da época não podiam decidir sobre seus próprios parceiros. Em vez disso, uma casamenteira ou as próprias famílias arranjava o casamento em nome do casal. Muitos só conheciam o outro no dia do casamento. (Foi assim com meus avós paternos!). A partir disso, surgiu o papel do “nakodo” (casamenteiro) no Japão.

Prática “Mi-ai”

É verdade que cada vez mais os jovens japoneses se unem no matrimônio por amor e vontade própria. Porém, a prática do “Mi-ai” é ainda bastante observada no Japão. “Mi-ai” é uma entrevista que os pais fazem aos prováveis e futuros noivos. Nesse momento, apresentam-se os meios sociais e outros fatores da futura esposa, esposo e suas famílias. Não é obrigatório para qualquer das partes aceitar tal “Mi-ai” como promessa de casamento.

Antes de 1900, essa prática foi mais uma formalidade do que uma oportunidade para o casal de fato se conhecer. Hoje, uma casamenteira pode ser um familiar ou um amigo que organiza uma reunião inicial entre os jovens. Essas reuniões iniciais ocorrem geralmente em lugar público, como um restaurante ou um teatro.

Troca de presentes – “Yui-no”

Depois que o casamento foi acordado entre as duas famílias, elas se reúnem em um jantar formal, momento em que se trocam presentes. É a prática de “Yui-no”. O presente principal que a noiva recebe é um “obi” (uma faixa kimono), que representa a virtude feminina.

Obi

Para o noivo, o principal presente é o “hakama pants”, que representa fidelidade.

Hakama pants

Além desses dois, a troca de presentes pode incluir outros itens, que tradicionalmente simbolizam felicidade e fortuna. Eis alguns:

1) Naga-noshi: concha grossa e achatada utilizado para fazer artesanato e presente.

2) Mokuroku: lista de presentes trocada no noivado.

3) Katsuo-bushi: ingrediente alimentar altamente valorizado, oferecido para desejar ao casal uma união duradoura.

4) Surume: dried cuttlefish (não sei ao certo a tradução, mas acho que é “lula seca”). Presenteado com o mesmo objetivo do Katsuo-bushi.

5) Konbu: alga. Conhecida pela capacidade de procriar, é oferecida de presente a fim de desejar ao casal muitas crianças felizes e saudáveis.

6) Suehiro: ele abre de ponta a ponta e é dado como desejo de felicidade e de um futuro melhor.

7) Yanagi-daru: barril de vinho. Dinheiro pode ser dado em lugar do barril de vinho com a finalidade de aquisição de “amor” de vinho.

Ufa… é muita história pra contar! Por hoje, vamos ficando por aqui. Outro dia falamos sobre a cerimônia e a recepção dos tradicionais casamentos japoneses.

Fonte: Japanese Lifestyle.

Imagens: Mizuhiki (Algumas).

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